Resolvi ser designer. E agora?

Resolvi ser designer. E agora? Que caminhos seguir?

- A formação acadêmica é essencial na construção de uma carreira?

Diferentemente de épocas passadas, o jovem, atualmente, dispõe de mais liberdade e acesso à informação para escolher seu futuro ofício. Se as dúvidas e a dificuldade para se escolher uma carreira e alcançar a oportunidade de se estudar em uma faculdade permanecem as mesmas, pelo menos a pressão familiar pelas chamadas “profissões tradicionais” diminuiu. Até porque ninguém mais pode garantir quais são as profissões que garantirão um futuro promissor e tranqüilo.

Dentre as profissões que hoje despertam mais interesse, está a de Desenhista Industrial, ou designer, fato comprovado pelo alto número de candidatos por vaga nos vestibulares.

O curso de Desenho Industrial oferece duas opções de carreira: Projeto de Produto ou Programação Visual. O estudante pode optar por uma ou outra, ou procurar cursos e faculdades que ofereçam uma formação integrada, como a ESDI, no Rio de Janeiro. É importante frisar que cada opção se subdivide em muitas outras, o que amplia o leque de oportunidades oferecido para atuação do profissional.

Entretanto, o interesse pelo Desenho Industrial concorre também com o desconhecimento da maioria sobre o que é o ofício propriamente dito. Por se tratar de uma atividade multidisciplinar, que trabalha com questões que tangenciam o subjetivo, muitos acreditam que o trabalho do designer seja apenas questão de bom senso, ou gosto, e se arriscam a realizar trabalhos, marcas, cartões de visita, sites para internet sem ter uma formação mínima.

No caso da internet, o panorama ainda é mais controvertido, pois o fato de os jovens desta geração terem nascido na mesma época em que a internet surgiu, permite que muitos tenham uma proximidade que os tornam hábeis para trabalhar nela com familiaridade sem jamais terem freqüentado qualquer curso, faculdade ou escola especializada.

Muitos se perguntam: a formação acadêmica é tão necessária assim?

Hoje em dia, com a possibilidade de ensino à distância, de estudo de manuais de software e tantas outras fontes de consulta promovidas pela internet, muitos se aventuram por um aprendizado informal, na base da tentativa e erro, construindo seu conhecimento de forma autodidata. Essa postura é compreensível, uma vez que antes de existirem os cursos regulares de design, boa parte dos profissionais eram autodidatas. Muitos deles foram responsáveis pela implantação do design em nosso país.

Ainda assim, o caminho percorrido para o processo de aprendizado é árduo, exigindo muito estudo pessoal e disciplina.

Oportunidades existem, mas isso não significa que estes profissionais sem o preparo acadêmico terão sucesso em suas carreiras. É necessária uma formação, uma base, seja ela qual for. Essa formação conferirá auto-confiança e auto-estima, além de conhecimentos e conceitos que poderão impedir que uma carreira fique estagnada naquele momento crítico onde o profissional se define como um mero operador, executor de funções, ou um consultor, tomador de decisões.

A formação acadêmica é importante porque oferece a oportunidade de se estar em contato com um mundo de menções pertinentes à sua profissão. Ela serve como uma fonte de referências e experimentação, aprendizado técnico, teórico e criativo, provendo contato com colegas, designers, professores e profissionais. Deve-se aproveita-la ao máximo, desenvolvendo técnicas e fomentando o pensamento crítico, por meio de uma intensa troca de informação. Tudo é informação, seja ela visual ou cultural, que se torna subsídio para enriquecer seu trabalho.

Segundo Freddy Van Camp, “A escola serve como uma referência, como uma queima de etapas, como uma sistematização de formação do profissional, como um elemento comparativo de suas capacidades em relação aos colegas, uma importante fonte de informação e crítica para construção de uma carreira, agora e no futuro.”

Infelizmente, as instituições de ensino ainda tem muito o que evoluir. Não existe faculdade ou curso ideal, mas isso é o que você terá a mão. Encare sua escolha como o primeiro passo de uma evolução que precisa ser constante, e faça-a com cuidado, pois é nela que você vai formar a base sobre a qual construirá sua carreira.

A construção de uma carreira depende basicamente daquilo que lhe é oferecido pela faculdade ou curso que você freqüenta e de sua posição pessoal, suas escolhas e pelo comprometimento sério, consciente e proveitoso de seus anos de formação. Ambas têm valor idêntico e devem ser complementares, caso uma delas não seja satisfatória.

Não adianta se esquivar; você responde por, pelo menos, metade de sua formação profissional. Mas que fique claro que a carreira é sua. É sua a prerrogativa e responsabilidade de construí-la.

Essa dúvida que atormenta muitos jovens e profissionais deve ser considerada como um fruto da liberdade de escolha. Porém, sua formação deve ser consciente e com responsabilidades sobre as suas definições e responsabilidades. Não há como se indicar um único caminho para se adquirir conhecimento e qualificação, mas o meio acadêmico com certeza é um bom começo.

O mais importante é se conscientizar que sua formação não termina ao final de um curso, ou ao recebimento de um diploma. Sua formação nunca termina. Ela se prolonga por toda a sua vida. Independente de sua decisão, procure estar sempre evoluindo, buscando sempre mais conhecimento. Leia muito, tenha em mente que design é um ofício multidisciplinar e cultural. Lembre que o sucesso profissional vai além do conhecimento técnico. Ele requer organização, conhecimentos gerais, relacionamento e contatos, visão e, acima de tudo, conhecimentos dos alicerces da profissão

Nesses tempos onde a internet disponibiliza informação globalizada, a formação contínua é a única que pode nos garantir flexibilidade perante mudanças.

Eduardo Vieira é formado na Escola Superior de Desenho Industrial ESDI/UERJ (RJ)

Rio de Janeiro, 20 de maio de 2004

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